O sistema jurídico nacional, com quatro instâncias recursais, é um acinte, pois permite a protelação da sentença por muito tempo, haja vista a já consagrada morosidade da justiça. Deve-se, portanto, discutir a modificação do direito naquilo em que prevê a possibilidade de tantos recursos.
Se quiser entender as instâncias recursais do direito brasileiro, veja aqui:
http://cnj.jus.br/noticias/cnj/59220-primeira-instancia-segunda-instancia-quem-e-quem-na-justica-brasileira
Mas uma coisa é certa: hoje, como está colocado o sistema jurídico nacional, por mais estranho e injusto que seja, há quatro instâncias recursais e a Constituição de 1988, em seu artigo 5º, incisos LIV a LVII, prevê a execução da pena somente após o término de todas as possibilidades de recursos.
E aqui entro no tema que me interessa nesse texto: a decisão do STF que permite a prisão após a segunda instância, por mais que agrade a uns e desagrade a outros, é uma afronta ao texto constitucional. E tomada, ironia, pela instituição responsável em defender a Constituição.
O STF tem-se notabilizado em legislar, o que, definitivamente, NÃO é tarefa sua, segundo a própria Constituição. Mas, diante dum Congresso Nacional achincalhado pela corrupção e pela descrença geral na política, coube ao STF ocupar esse lugar de legislador, uma vez que não há vazio de poder.
Nalgumas decisões legislativas do STF, alguns poderão sentir-se atendidos em suas demandas, outros, violentados, como são os casos da prisão em segunda instância e a possibilidade de aborto para má formação cerebral do feto. Mas o fato é que os membros do STF NÃO foram eleitos para tal função, e sequer foram eleitos para qualquer função. Eles NÃO têm o direito de criar leis para a sociedade.
O lugar do debate previsto pela Constituição para essas demandas sociais é o Poder Legislativo, por mais que isso, hoje em dia, cause-nos náuseas e reações indignadas.
Portanto, em vez de torcer para tal ou qual decisão legislativa dos ministros do STF, é preciso ter muito cuidado na hora da escolha dos candidatos ao Poder Legislativo. Discutir se o candidato à presidência A, B ou C é bom ou não acaba por ser algo menor diante da estrutura política do estado brasileiro, porque sem um Congresso Nacional efetivo, decente e sintonizado com as reais demandas sociais nacionais, qualquer presidente eleito será incapaz de dar seguimento às esperanças nele colocadas pelos votos que lhe darão a chefia do poder Executivo.
Torcer pelo voto legislador de ministros do STF, que mudam ao seu bel prazer os textos da lei nacional, é o atestado da falência do Poder Legislativo. Então, em vez de se vestir a camisa de um ou outro ministro, pense bem em quem votar para deputados e senadores nas próximas eleições.
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domingo, 29 de abril de 2018
Qual é o seu time: Cármen ou Lewandowski?
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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Divaldo, a liberdade e a censura à crítica
“A crítica se torna,
assim, elemento básico da filosofia e da prática espírita. Mas é evidente que
deve ser exercida por pessoas que tenham condições de cultura e bom-senso para
criticar”.
“Sem crítica não há
correção de erros, não há renovação de conceitos nem abertura de perspectiva
para evolução”.
J. Herculano Pires
A filosofia moderna, surgida no bojo das
transformações econômicas e sociais do período da renascença, legou-nos valores
e saberes que se tornaram referências ao pensamento e à prática contemporâneos.
Uma das mais importantes mudanças na postura desse
homem moderno, renascentista, em relação ao conhecimento foi o questionamento
do argumento de autoridade, muito comum em épocas anteriores. Descartes, marco
imperativo desse momento, propõe a dúvida a tudo e a todos como etapa
necessária a qualquer tentativa de construção gnosiológica. Mas são os
pensadores iluministas que concluirão esse caminho árduo propondo, a partir
dessa nova postura e centrando todo o esforço nos valores humanos, uma
sociedade mais livre, laica e plural, inaugurando então o mundo contemporâneo.
Faço essa introdução breve para comentar o texto do
médium baiano Divaldo Franco publicado no Jornal A Tarde, de Salvador, BA, no
dia 22 de fevereiro de 2018. O texto trata, evidentemente, das muitas críticas
recebidas pelo autor após sua confusa resposta a um jovem, que o perguntou
sobre “ideologia de gênero”, num evento ocorrido em Goiânia, GO, no dia 13 de
fevereiro de 2018.
O texto de Divaldo Franco publicado no Jornal A Tarde está aqui:
http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/artigos-espiritas/liberdade-de-consciencia/
http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/artigos-espiritas/liberdade-de-consciencia/
Abstive-me de comentar o conteúdo de sua fala no
referido evento, e assim pretendo continuar fazendo, por conta da inesperada associação,
feita por Divaldo Franco, de questões políticas ao tema proposto pelo jovem. O
que aqui faço é apenas comentar a contrarreação do famoso médium às críticas
recebidas.
O autor começa seu texto colocando-se como vítima
dos “cerceadores da liberdade dos outros”, sendo os “outros” identificados como
aqueles que discordam de seu pensamento (“quando as ideias apresentadas não
obedecem aos seus padrões de pensamento e de conduta”).
Retornei às críticas feitas às ideias do médium, e
que estão disponíveis na rede virtual de informações, e não consegui
identificar a qual ele se refere, uma vez que nenhuma das que tive acesso
propõe calá-lo ou cercear sua liberdade de opinião. Ou o autor se refere a alguma
crítica bem específica que não vi ou li, ou parece que confundiu alhos com
bugalhos. Afinal, é preciso, no trato dialógico, não confundir crítica com
censura.
Adiante, acusa seus críticos de não dialogar com
ideias, mas com insultos de ordem pessoal, e de perseguir “os idealistas”,
grupo ao qual se inclui e, obviamente, exclui seus críticos. Aqui também vale a
ressalva que nas reações mais divulgadas à sua fala não houve ataque pessoal à
figura do indivíduo Divaldo Franco, mas críticas contundentes ao seu
pensamento. Parece que o médium não leu ou viu as críticas recebidas, tornando
sua queixa infundada.
No mais, é no texto proposto como contrarreação que
o autor vocifera ad hominem, reagindo
de forma pessoal contra seus críticos, usando adjetivos à mancheia: rudes,
agressivos, insanos, intimidadores, arrogantes, temerários, perseguidores,
invejosos e despeitados. Talvez tenha esquecido um ou outro, diante da sua
profusão.
Acho que Divaldo perdeu uma ótima oportunidade de
argumentar sobre as críticas recebidas, preferindo, em vez disso, atacar aqueles
que com ele não concordam. Mas isso é um direito seu.
E é também um direito seu inalienável, e disso
ninguém discorda, escolher um lado político e defender publicamente essa opção;
nutrir determinados valores morais e fazer deles sua pregação; crer e praticar
sua fé livremente; pensar e expressar seu pensamento.
O problema é achar que seu pensamento não deve e
não pode receber críticas, considerando-se um “grande líder perseguido” sempre
que alguém argumentar contra suas ideias. Esse tipo de argumento é anterior à
luz do modernismo e do iluminismo filosóficos, e retoma a ideia medieval da autoridade
do “líder” ou do “idealista” como verdade inquestionável. A crítica também é um
direito inalienável e compõe o quadro do direito às liberdades de consciência e
de expressão, o que parece ter esquecido o médium em seu texto.
E, para ilustrar sua defesa, o autor cita um pensamento
atribuído a Voltaire, não se apercebendo, porém, que a citação inicia afirmando
o desacordo entre as ideias, portanto sem dispensar a crítica, defende a
liberdade de expressão. É preciso estar pronto para receber críticas sempre que
se expõem ideias, sob o risco de parecer inapto ao diálogo aberto e maduro.
Não se pode olvidar que as adjetivações pessoais na
troca de ideias, tão profícua no texto do famoso baiano, é uma vã tentativa de diminuir
seus interlocutores, impondo-se como autoridade e liderança a ser seguida,
objetivando calar o oponente de ideias. Isso sim pode-se chamar de censura.
Aliás, Divaldo poderia ouvir mais os jovens com
quem estava no referido evento, pois isso nos ensinam de forma simples: “não
sabe brincar, não desce ao play”.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
XX Congresso Espírita Pan-Americano
Texto extraído da CEPA - Confederação Espírita Pan-Americanahttp://www.cepanet.org/Porto Rico os espera!
Unam-se a nós no XX Congresso da Confederação Espírita Pan-Americana a realizar-se no período de 4 a 8 de junho de 2008, em Porto Rico. A Comissão Organizadora tem tudo preparado para este magno evento e espera com alegria sua participação. Centenas de espíritas da América, Europa, Caribe e Oceania se encontrarão para compartilhar experiências, conhecimentos e calor humano, sob o sol e a brisa quente da bela ilha. A seguir lhes damos as informações mais relevantes da atividade:
Local:
As reuniões serão no Hotel Holiday Inn de San Juan, Porto Rico. Necessitarão quatro noites para desfrutar plenamente do evento. O custo da diária é U$130 (dólares americanos) para duas pessoas (mais impostos). Admite-se duas pessoas adicionais no mesmo quarto, com acréscimo de U$25 na diária por pessoa (mais impostos). Para fazer reservas pode ligar para o telefone (787) 253-9000 ou via internet no endereço www.holidayinn.com.
Custo da inscrição:
Será oferecido coquetel e espetáculo artístico de voas vindas na cerimônia de abertura, todos os desjejuns, almoços e dois coffee-breaks de quinta a sábado, todos os materiais (pasta, papel, caneta etc.), dezenas de conferências com conferencistas internacionais e um jantar dançante na noite de sábado, pelo valor de U$200 (dólares americanos) por pessoa.
Fórum de Temas Livres – todos podem participar:
Como de praxe nos Congressos da CEPA, em Porto Rico também serão abertos espaços inteiramente livres à disposição de espíritas de qualquer parte do mundo. Um grupo de trabalho foi designado pelo Conselho Executivo para analisar previamente os pedidos de apresentação de temas livres. O grupo será coordenado por Juan Albino (Porto Rico) e integrado por Gustavo Molfino (Argentina), Maurice Herbert Jones (Brasil), Raúl Drubich (Argentina) e Ademar Arthur Chioro dos Reis (Brasil). Leia e/ou copie o Regulamento do Fórum de Temas Livres diretamente desta página que encontra-se juntamente com os livros publicados.
Para mais informações, acesse a página http://www.conocenos.org/CEPA2008/
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