Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de abril de 2013

Reflexões em torno de uma latinha de refrigerante

Hoje, ao pedir uma Coca Zero, chegou-me uma com o nome da cidade onde vivo há muitos anos: "Quanto mais Salvador, melhor". Não é minha cidade natal, mas aprendi a viver e a gostar dessa terra.
Mas fiquei a pensar: será que concordo com essa frase da propaganda?
Não, não concordo!
Salvador é uma das cidades mais violentas do Brasil e do mundo. Seus problemas de infraestrutura parecem sobrepujar aos de outras capitais de porte semelhante. A educação média do seu povo, à revelia da propaganda turística que quer divulgar o contrário, é péssima. A sujeira em vias públicas é regra. E poderia continuar a enumerar os muitos outros gravíssimos problemas dessa grande cidade, mas já bastam para ilustrar o objetivo.
Não, não sinto orgulho de ser soteropolitano (no sentido de residente e não de nascimento), não sinto orgulho de ser baiano, nordestino ou brasileiro. Aliás, não sinto orgulho de nada que não tenha sido escolha pessoal.
Não sou nacionalista, não empunho bandeiras que delimitam territórios e que me impõem fronteiras. Não canto hinos com lágrimas nos olhos e não vejo como um valor em si o fato de ter cidadania dum país ou outro qualquer.
Sou um cidadão do mundo!
Entendi, naquela lata à minha frente, que o que me faz gostar de Salvador, ou da Bahia, ou do Brasil, não é o local em si, não é o fato de ter nascido aqui ou acolá, mas pelas pessoas que compartilham esse espaço geográfico comigo.
Sim, as pessoas! Elas são importantes!
Seria feliz com elas em qualquer lugar, já que consigo ser feliz aqui, numa cidade tão cheia de deficiências e problemas graves.
Mas acho que seria ainda mais feliz com elas se estivesse numa cidade onde o respeito, a educação e a civilidade fossem valores mais importantes do que as cores de uma bandeira qualquer...


quarta-feira, 5 de outubro de 2005

No túmulo de Kardec

Visita à Paris, julho de 2005.

Desde que chegamos à Paris, eu e Mônica desejamos conhecer o túmulo de Kardec. Foi então, num final de semana, passeando pela Cidade Luz de bicicleta, juntamente com a minha irmã e o meu cunhado, que chegamos ao Père-Lachaise, cemitério onde está o túmulo de Kardec, na parte nordeste da cidade.

Os cemitérios em Paris são atrações turísticas e são visitados por muita gente diariamente, em virtude dos túmulos de nomes conhecidos da ciência, da arte, da filosofia, da política etc. O Père-Lachaise é o maior, mas há também o de Montparnasse, de Montmartre etc.

Não pudemos entrar com as bicicletas, prendemo-las num dos muros do cemitério, adquirimos um guia numa loja vizinha, já que ele é imenso e com muitas ruelas e caminhos, e adentramo-lo caminhando. Arborizado e tranqüilo, no meio dum sem-número de lápides com nomes desconhecidos, diz alguém que são mais de 20 mil, vamo-nos encontrando com um ou outro nome famoso, sempre cercado de gente curiosa, como nós, fotografando e perquirindo. Ao vislumbrar o túmulo de Kardec, a alegria e o encantamento iniciais são as emoções presentes. Muito florido e um bom número de pessoas ao seu redor, vendo-o, fotografando-o e tocando-o (por quê? Engraçado como alguns tocam seu busto e oram...). Atrás do dólmen uma placa pede aos passantes que evitem cenas de adoração explícita e mantenham a tranqüilidade local. Um guia turístico, com alguns visitantes, explica, em francês, quem é Kardec. Escuto atentamente, e ele o retrata de forma relativamente fiel, para minha surpresa. Faz um adendo, informando a importância restrita de Kardec para os brasileiros, e ao nos perceber, estranhos, nós quatro, pergunta-nos sobre nossa nacionalidade, e, voltando-se para o grupo, confirma o que havia dito. Olham-nos curiosos, como a perguntar: O que viram nesse indivíduo? Por que brasileiros?

Após aquele encontro com os túmulos de Kardec e Boudet, passei a refletir bastante sobre a realidade do alcance do espiritismo, o que mo fez ver com outros olhos, talvez mais realistas, e menos eloqüentes... O espiritismo ganhou, para mim, outras cores, outros tons, outros odores... Vê-lo na França, tão insignificante, tão sem representatividade, quase como um místico-esoterismo (o que, aliás, o movimento espírita faz), uma curiosidade, deu-me possibilidade de reflexões mais intensas e íntimas. Um encontro mais profundo com sua mensagem e sua limitação. Natural que assim o fosse, afinal, é ele também fruto duma época, dum contexto, que se esvai com o tempo...
Powered By Blogger